Aberio Christe - Seja Autêntico

02/06/2012

 


 A Gargalhada

Quando atravessou o portão, Adolfo deu uma gargalhada, ao entrar no escritório, mais uma vez sorriu com vontade. Quando soube que Mário havia sido promovido em seu lugar, não conteve outra explosão de alegria. Ao saber da notícia de que Ana havia sido demitida e que Lígia continuava na empresa, ele gargalhou novamente. Ao ser informado que perderam uma concorrência por negligência do diretor, sorriu sem medo. Quando descobriu que diversos clientes haviam cancelado o contrato, pois estavam insatisfeitos com os serviços prestados pela empresa, arreganhou os dentes numa alegria sincera.

Ludovico era um dos seus colegas de trabalho e este testemunhara todos os acessos de riso. Antes de terminar o expediente, questionou Adolfo por essas estranhas manifestações de alegria.

- Você já tem outro emprego? – perguntou.

- Não – respondeu Afredo. – Por que?

- Mário não merceia ser promovido, não conhece bem a empresa, nem é especialista no ramo. Ele falta muito, não produz o necessário e nem é querido entre os colegas...

- É verdade – concordou Adolfo.

- Ana era uma excelente funcionária, todos ficamos sentidos com a sua demissão – continuou Ludovico – Lígia não faz nada, anda de uma lado para o outro a matar o tempo e não sabe trabalhar em equipe.

- Concordo e sinto também por Ana.

- O diretor foi escolhido por bajular o presidente, nunca contribuiu de forma positiva com a empresa e tem empregado aqui os seus amigos pessoais independentemente de possuírem as qualidades necessárias aos cargos ou não. Ele tem deixado a desejar na direção da empresa e não é primeira vez que perde concorrência por falta de empenho. O nosso presidente tem outra empresa maior, está completamente mergulhado no mundo político e não está se importando muito com o que acontece aqui. A nossa receita diminui a cada dia e estamos caminhando para a falência graças à incompetência administrativa que temos aqui. 

- Você tem razão.

- Então porque você morre de rir diante de todos os acontecimentos? – Perguntou Ludovico.

- É simples. Eu percebo a cada dia que a vida é muito mais do que tudo isso. E essas pessoas não têm poder de tirar a minha felicidade – e gargalhou mais uma vez.

Aberio Christe

 

                                                                                                                                                                          

                                                                                                                                                                          

 


Escrito por Aberio Christe às 15h20
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27/05/2012

O Bode Bale, a Gansa Grasna, o Porco Grunhe e o Gato Usa Ray-Ban

 

 

O Bode Bale, a Gansa Grasna, o Porco Grunhe e o Gato Usa Ray-Ban

Os animais da fazenda ficaram sem um líder, pois o cavalo tinha sido vendido. O porco se encheu de esperança porque ele era o mais próximo do fazendeiro. Começou a cumprimentar os colegas, a sorrir pra eles, coisa que nunca fazia. O porco, até mesmo, andava a beijar os filhotes, ele que nunca escondera de ninguém a sua aversão pelos pequenos.

A gansa então decidiu entrar em ação, procurou o carneiro e disse que eles precisavam fazer algo para impedir que o porco fosse escolhido. Foram procurar o dono da fazenda e lhe sugeriram que promovesse o bode a líder. Alegaram que esse iria evitar descontentamentos. O fazendeiro nem pensou duas vezes, logo aceitou a sugestão, pois ele queria mesmo era ser prefeito da cidade.

O bode, logo que começou a liderar, foi procurado pela galinha. A penada contou que estava muito revoltada com a sua situação, pois todos os seus ovos lhe eram tirados e não deixavam nenhum pra que ela pudesse chocar. O bode disse que, por hora, não poderia fazer nada, pediu-lhe que tivesse paciência porque em breve iria conseguir que lhes deixassem alguns ovos. Ela contou ao seu amigo porco. Este lhe aconselhou a não acreditar no animal de barba, mas quando ele enfim fosse o líder, resolveria o seu problema. Tudo que ela precisava fazer era ajudá-lo a conseguir tomar o lugar do líder.

O porco tinha uma grande capacidade de mentir e enganar os animais, em fazer jogo duplo e ensinou a galinha a ser como ele. Decidiram pedir a cabeça do carneiro e da gansa, pois sabiam que eles haviam feito campanha em prol do bode. O bode aceitou perseguir o carneiro em troca de apoio, mas a gansa ele protegeria, pois era líder graças a sua iniciativa. O carneiro não aguentou a pressão e pediu para ser transferido de rebanho.

Percebendo não ser difícil influenciar o bode, o porco, junto com a galinha, tramou uma estratégia para controlar o líder. Procuraram o fazendeiro e disseram-lhe que o bode não estava conseguindo liderar sozinho e precisava de um auxiliar. Sugeriram-lhe que o gato de ray-ban fosse nomeado, este era do tipo que obedecia quem mais lhe oferecia. O bode inocentemente aceitou a suposta ajuda.

O gato de ray-ban começou a andar pela fazenda com o pescoço esticado e olhando a todos com superioridade, quando avistava a galinha, a pata (que não botava ovo, nem sabia nadar), a perua (já bem envelhecida) ele lambia os beiços, pois morria de vontade de se alimentar com todas elas. Mas as penosas se encantavam com o seu jeito gatuno de ser. Ele miava suave e elas se derretiam por ele. Mas não demorou a soltar as suas garras e arranhar a todos os animais que lhe faziam oposição. Os animais começaram a questionar a liderança do bode, pois ele não resolvia os problemas que apareciam e ainda tinha o gatuno como seu auxiliar.

Então apareceu a maritaca. Todos os dias ela sobrevoava a fazenda sem pousar em lugar algum. A ave gritava que todos os animais da fazenda eram fracos e não tinham sabedoria nem capacidade para fazer as coisas bem feitas. O bode foi reclamar com o fazendeiro. O porco ameaçou dizendo que se a matraca continuasse a aparecer ele iria embora. Mas o dono disse que ela iria continuar livre, pois não havia nada a fazer já que ela pertencia ao presidente do seu partido. O bode não baliu mais, o porco parou de grunhir.

Os animais desacreditaram da liderança do bode e também não trabalhavam mais com vontade. O fazendeiro não conseguiu se eleger para a prefeitura e decidiu vender a fazenda para cobrir as dívidas que havia feito na campanha. O novo fazendeiro anunciou que faria uma grande festa de inauguração da sua nova propriedade e que serviria carne de todos os tipos para os convidados. Quando os animais souberam que corriam perigo, fugiram todos para bem longe da fazenda.

Moral da história: Quando todos olham para o próprio umbigo, todos se trombam e caem.

Aberio Christe

 



Escrito por Aberio Christe às 19h55
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