Aberio Christe - Seja Autêntico

27/05/2011

Renivaldo, O Patinho Feio

(Baseado em fatos reais)

Renivaldo sempre sofreu “bullying”. Dizem que antes de nascer já tinha que aguentar as piadinhas do tipo: “você vai nascer uma barata” ou “se a sua mãe for esperta ela lhe aborta logo no começo da gravidez”. Quando ele nasceu, a mãe perguntou à enfermeira: - “É um menino?” e ela respondeu: “Acho que é, pelo menos tem biluzinho”. E ele não recebeu do médico um tapinha no bum-bum, mas um tabefe na cara.

Ainda na maternidade uma enfermeira perguntou para a outra: “Quantos bebês você contou?” e a resposta: “Seis, mais aquela coisa ali”. Quando os parentes viram a criança pela primeira vez, alguém disse: “É a cara do pai”, mas este ficou bravo e retrucou: “Não é mesmo”.

E assim o Renivaldo viveu a sua infância e adolescência. Na escola, todos os dias ele ganhava um apelido novo, um tapa, um soco, um ponta-pé. Os colegas, os professores, inspetores apenas assistiam às cenas e não faziam nada. Certa vez ele revidou um soco na barriga e acertou o nariz do provocador. O melado escorreu do outro e Renivaldo foi levado à diretoria. Tomou uma bronca: “Você é um menino bagunceiro e violento, vai ficar suspenso para aprender”. E ficou de castigo em casa sem poder assistir televisão, nem pegar os seus brinquedos. Mas estava feliz, pois longe da escola ele quase tinha paz, não fossem os seus pais dizendo a todo instante: ”Vagabundo inútil! Vai ser o que quando crescer? Filhote de não sei o que com qualquer coisa?”.

Mas ele teve que voltar àquele inferno chamado escola e as torturas continuavam. Agora ele tinha fama na escola inteira. Pessoas de outras salas olhavam pra ele e diziam: “Cuidado que ele é louco”. E escondiam o seu material, roubavam o seu lanche, rabiscavam os seus cadernos... E as agressões físicas voltaram.

Renivaldo pensava: “se eu tivesse um fuzil... Ratatatá, tatá, tatá”. Mas a perseguição a ele tendia a aumentar. Faziam desenhos de caveiras, de sapos na lousa e colocavam o nome dele. Certa vez escreveram: “Renivaldo é uma mistura de Serra com Ronaldinho Gaúcho”. E outra vez: “Quem disse que não existe ET, olha o Renivaldo aí”. Quando ele pegava o apagador levava sopapos de vários lados.

Mas ele se cansou de ser o saco de pancadas da turma e foi fazer um curso de artes marciais com o objetivo de se vigar de todos os seus algozes. Porém nesse curso aprendeu coisa melhor que vingança. Aprendeu a ter alto estima e considerar aqueles agressores como os verdadeiros infelizes.

Renivaldo seguiu adiante e se tornou um profissional respeitado da área de exportação. É um homem elegante, charmoso e querido pelas mulheres. Às vezes ele têm notícia de alguns dos seus perseguidores na escola quando abre a página policial do seu jornal.  

Aut. Aberio Christe


Escrito por Aberio Christe às 18h53
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A Menina Miudinha

(Baseado no conto “Mindinha” de Hans Christian Andersen)

 

Era uma vez uma mulher que se sentia muito sozinha, ela era uma boa pessoa, mas não tinha facilidade para fazer amigos, as pessoas se afastavam dela. Desde o tempo de escola, era isolada e não tinha amigos. Ninguém se aproximava dela, nem os professores lhe davam muita atenção, pois eles estavam muito ocupados em ensinar. Essa mulher não se casara, porém tinha um sonho: ser mãe. Certo final de tarde, foi surpreendida com batidas na porta da sua humilde casa e ela correu para saber quem era na esperança de que fosse alguém para lhe fazer companhia.

- Olá generosa senhora, teria algo para uma pobre velha matar a fome?

- Sim - respondeu com simpatia – acabei de fazer uma sopa gostosa, entre e partilhe comigo essa refeição.

Elas se alimentaram e ficaram até altas horas conversando, brincando e rindo juntas. Então a mendiga se levantou e disse: - Preciso ir embora. Muito obrigada pela sua generosidade. Gostaria de retribuir esse carinho de alguma maneira. A senhora tem algum sonho?

- Sim – respondeu a mulher com brilho nos olhos – gostaria de ter uma criança que me fizesse companhia.

A mendiga mexeu no bolso do seu velho casaco, tirou algo dele e estendeu para a bondosa senhora.

- Tome, é uma semente mágica, plante-a e logo verá o seu sonho realizado – e se foi pela noite a fora. A mulher olhou aquela semente e mesmo sem entender bem as palavras da velha, colocou-a em um vaso com terra, depois pegou seu paninho e se pôs a bordar. No entanto ela não deixava de olhar frequentemente para o vasinho. Assim, caiu no sono, ali mesmo sentada na cadeira. Mas ainda no meio da noite acordou e qual não foi sua surpresa a se deparar com uma linda tulipa.

- Ela tinha razão – disse maravilhada – a semente é mágica. – E de repente a flor se abriu e dentro dela havia uma criaturinha.

- Que linda menininha, mas é tão miudinha!

A criança espreguiçou-se e perguntou: - Você é a minha mãe?

- Sim, sou a sua mãe e vou amá-la e protegê-la para sempre.

Aquela pequena garotinha logo sofreria com a crueldade do mundo. Tudo e todos eram tão grandes perto dela. E ela foi matriculada em uma escola, mas as outras meninas a desprezavam, não a escolhiam para fazer parte dos grupos de estudo. Afinal a sua letra era muito pequena. Os meninos diziam debochando: - Você não é de verdade, é apenas uma boneca.

Uma vez colocaram a miudinha em cima do armário e ela não conseguia descer, gritava, mas ninguém a ouvia ou fingia não ouvir. Uma vez, um garoto malvado a colocou no bolso durante o intervalo e ela não pode comer o seu lanche. O menino só a soltou quando acabou o recreio.

A minúscula menina às vezes era pisoteada porque todos queriam correr quando dava o sinal para irem embora, ninguém respeitava o seu tamanho.

Quando chegava em casa, ela chorava no colo da mãe e a boa senhora sentia a dor no coração por não poder cumprir a promessa de proteger a sua querida menininha. Então essa mãe orou aos céus e algo aconteceu.

A menininha estava na escola e vários colegas zombavam dela. Diziam: - pintora de rodapé, jóquei de pulga, tampinha, piolho, Topo Giglio, formiga, poeira de sótão, semente de gente, filhote de cruz credo, miniatura do cão –, entre outros termos. E todos aplaudiam como zombaria. De repente ela começou a crescer, a crescer e ficou gigantesca. Então colocou todos que zombavam dela nas mãos e ameaçou: - Acho que vou aplaudir vocês agora.

Eles ficaram com muito medo de serem esmagados ou caírem no chão, pois estavam no alto e começaram a pedir perdão e prometer que nunca mais fariam mal a ninguém, nem ofenderiam os colegas. A menininha voltou ao seu tamanho de antes, tornou-se adulta, casou-se com um príncipe e se tornou a menor mulher mais querida do universo.       

Aut. Aberio Christe 


Escrito por Aberio Christe às 18h34
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