Aberio Christe - Seja Autêntico

24/05/2013

 

Oração

Senhor meu Deus, faz-me perspicaz para que eu seja enganado nem iludido. Muitos tentarão me ludibriar, mas eu sei que tu não me deixarás a mercê dos inimigos. Mas mesmo que eu caia em uma cilada, não permitas que eu viva magoado ou em um eterno lamento. Que eu me levante, perdoe meus agressores e siga em frente com paz e alegria. A vida é uma oportunidade maravilhosa que tu me deste. Que eu saiba aproveitar esta oportunidade. A vida não é um fardo a carregar, não é uma guerra ou uma prisão, mas uma dádiva, uma experiência esplêndida. Que eu sempre tenha consciência disto. E se as situações me trouxerem angústias, cura-me. Se eu me sentir sozinho ou abandonado, se não me sentir amado, que eu perceba que tu estás junto a mim, abençoando e amando-me.

Senhor, que nunca deixe de acreditar e sentir a tua presença junto a mim. “Eu creio, mas aumenta a minha fé” (Marcos 9, 24)  

Amém.

 


Escrito por Aberio Christe às 13h34
[] [envie esta mensagem] []


24/04/2013

Pelas Alamedas

Pelas Alamedas

 

Ela andava pelas alamedas

Em um dia de muita luz,

Mas lhe atormentavam as perdas

E sentia no dorso o peso da cruz.

 

No peito a dor lhe apertando,

Sua alma encharcada de medo,

O rosto pálido sem encanto,

E na boca um gosto azedo.

 

Já não tinha certeza nenhuma,

Nem uma bússola de esperança,

Nada de confiança e, em suma,

Não possuía vestígio de crença.

 

Era pouco mais que um zumbi

Caminhando sem algum sentido,

Sem qualquer emoção para sentir

E sem aquela fé que havia possuído.

 

O vento então lhe socou o rosto,

A chuva lhe bateu no couro cabeludo,

Suas roupas ficaram em ensopo,

E seu caminhar deixou de ser mudo.

 

Gritava pelos sapatos transbordantes

Que massacravam as poças cheias

Das águas fluviais congelantes

Desacelerando o fluxo das veias.

 

A respiração tornou-se ofegante,

Levantaram-se os pelos dos braços

E ela sentiu um frio deselegante,

Como flechas penetrando o aço.

 

Finalmente um sentimento bandido

Roubou-lhe um espaço no peito,

E a emoção que havia perdido

Sanou, de seu coração, os defeitos.

 

Naquele extraordinário instante,

Sentiu que ainda vivia

E apesar das feridas constantes,

Uma filha de Deus, ali renascia.

 

Aberio Christe


Escrito por Aberio Christe às 07h55
[] [envie esta mensagem] []


02/04/2013

E Daí que o Coelho não Bota Ovo?

E Daí que Coelho Não Bota Ovo?!

Quando eu era pequeno, procurava, no dia da Páscoa, o ovo posto pelo coelho. Era estranho acreditar que o mamífero vertebrado da família dos roedores botasse ovo ali naquela caixa de sapatos, mas o ovo era diferente, muito colorido e já vinha cozido.
Todos nós irmãos ficávamos felizes, os pequenos porque encontravam o ovinho colorido, os maiores porque percebiam a felicidade dos menores quando recebiam o ovo dado pela galinha, mas pintado por eles. Na verdade os menores não precisavam saber disso. Para nós pequenos, aquilo era um sinal de que algo bom acontecia naquela época. Era motivo de felicidade. Era a Páscoa.
Porém eu me lembro o dia em que uma das minhas irmãs resolveu nos contar o que realmente acontecia.
Os outros irmãos não concordaram com sua atitude, houve até uma pequena discussão entre eles. Não foi interessante que nos contasse. Talvez já soubéssemos, mas queríamos que a tradição fosse mantida, que a fantasia continuasse. No entanto não foi. As novas gerações passaram a ganhar ovo de chocolate, e não existe nenhum mistério ou brincadeira em torno dele. As crianças sabem que é feito nas máquinas e por mãos humanas. Mas nem por isso deixam de gostar mais de chocolate que de ovo de galinha.
Graças à brincadeira dos ovos pintados, a Páscoa hoje tem, para mim, um gosto de infância. Agora sei que o coelho é o símbolo da fertilidade, que a fé nos faz férteis espiritualmente. Sei que o ovo é o símbolo da vida nova, que a Páscoa é a vida nova em Jesus Cristo. Ainda não entendo bem o que o chocolate tem a ver com isso. O ovo de galinha pintado artesanalmente desperta boas lembranças em mim. Sei, contudo, que os símbolos mais importantes da Páscoa são a cruz e o fogo. A cruz é o sinal de que Jesus morreu e ressuscitou para nossa salvação, e o fogo é Jesus como nova luz que dissipa as trevas do erro.
Quer as crianças recebam o ovo de galinha pintado, quer o ovo de chocolate ou ovo nenhum, Jesus é para todas elas a verdadeira alegria e o maravilhoso sonho que se realiza.

Lembre-se sempre: Jesus Cristo vive eternamente.

Aberio Christe




Escrito por Aberio Christe às 07h56
[] [envie esta mensagem] []


12/11/2012

O Que Tem Mais Valor: Uma Vez ou Sempre?

         O Que Tem Mais Valor: Uma Vez ou Sempre?  

O professor perguntou aos alunos se eles já tinham feito alguma coisa boa a alguém. Um disse que havia certa vez ajudado uma pessoa que estava ferida na rua, outro disse que trabalhou de voluntário num hospital de crianças durante uma semana, um terceiro em um asilo de idosos. E foram dadas tantas outras respostas como carregar a sacola de tia, lavar a louça para a mãe, doar roupas e distribuir cestas de natal para os pobres. No entanto, um dos alunos não dava nenhum exemplo e ainda balançava a cabeça mostrando que não estava gostando da aula.

            O professor, percebendo a reação desse aluno, perguntou-lhe:

            - E você, Lucas?

            - Professor, é muito estranho fazer caridade somente uma vez ou de vez em quando. Penso que para uma atitude ter valor deve ser frequente.

            - Vou contar uma história para você e para todos – disse o professor – prestem atenção. Um ancião muito justo estava sendo ameaçado por um inimigo, mas havia um jovem chamado Eterno que se propôs a protegê-lo todos os dias. E durante sete anos, assiduamente, acompanhou aquele ancião por onde ele precisasse ir. O inimigo, porém, se manteve distante. Mas um dia, o pai desse jovem necessitou da ajuda do filho para arrumar o telhado da casa. Eterno chamou um amigo também jovem conhecido como Vasqueiro e pediu que assumisse o seu lugar somente por um dia, pois precisaria dar assistência ao seu pai. Esse amigo aceitou, pois estava de folga do seu trabalho. Pois bem, justo naquele dia o inimigo decidiu atacar e Vasqueiro, com muita coragem, defendeu o ancião impedindo que ele fosse assassinado. O jovem conseguiu prender o agressor e leva-lo para a cadeia. O ancião finalmente ficou livre dessa ameaça.  

            - Quem foi mais importante para o ancião, Eterno ou Vasqueiro? – perguntou o professor.

            - Acho que foi Vasqueiro – respondeu um dos aluno.

            Lucas balançou a cabeça como que dizendo: “eu entendi a mensagem” e respondeu: - Eterno foi muito importante por sua iniciativa e disponibilidade, mas naquele dia Vasqueiro foi de fundamental importância.

            - Se não pode ajudar sempre, ajude de vez em quando – concluiu o professor. – Isso é muito válido.

 

Aberio Christe


Escrito por Aberio Christe às 22h47
[] [envie esta mensagem] []


21/10/2012

Em Busca da Originalidade

Em Busca da Originalidade

 

Elisa Kravitz procurava uma imagem verdadeiramente original. Sondou os jovens, as crianças e os idosos. Percebeu muitas coisas interessantes: uma menina de aproximadamente sete anos pegando uma bituca de cigarro que o pai jogara no chão e levando-a até uma lixeira. Viu um rapaz, dos seus dezoito anos, com um violão na mão fazendo uma serenata para a amada. Testemunhou uma senhora com cabelos brancos participando de uma corrida com moças jovens.

Essas e outras cenas, apesar da sua beleza, não deixaram a artista plástica satisfeita, continuaria empenhada na busca de um acontecimento mais impressionante. Foi então que viu um mendigo esfregando o ar como se estivesse lavando alguma coisa, mas ele não usava água. Ela se aproximou e notou que ele balbuciava algumas palavras, chegando mais perto pode ouvir: “é preciso lavar toda sujeira deste mundo” – e repetia a mesma frase sem parar.

Ela até pensou em colocar essa cena numa tela, mas logo desistiu. Queria algo ainda mais diferente, pois pessoas perturbadas mentalmente havia bastante na cidade. Lembrou de outras cenas parecidas com essa. Coisas tristes em uma sociedade capaz de enlouquecer muita gente.

        Seguiu pela Rua da Consolação quando pensou que poderia retratar todas as cena: da menininha consciente, do cantor enamorado, da velhinha atleta e do limpador do mundo.

A artista parou de repente, pegou um pincel imaginário e, ali mesmo na calçada, começou a desenhar, em uma tela também imaginária, as cenas que estavam em sua lembrança. Os passantes observavam, curiosos, aquela mulher que fazia gestos estranhos no meio da rua e, com certeza, pensavam: “Essa aí enlouqueceu de vez!”

Quando Elisa Kravitz expôs a sua nova obra já terminada, todos ficaram fascinados com a sua originalidade. Ela pintara a si mesma olhando e desenhando fatos inusitados que ocorrem na cidade.

As coisas, as pessoas e os acontecimentos são mais interessantes, quando nós temos interesses por eles. A nossa vida e as coisas que fazemos são interessantes. O problema é que nós não conseguimos mais perceber o quanto elas podem ser empolgantes.

Então, antes de sair à caça de coisas novas, dê uma olhada na sua própria vida e perceba que ela tem coisas muito valiosas.

 

Aberio Christe 


Escrito por Aberio Christe às 22h14
[] [envie esta mensagem] []


13/06/2012

A Verdadeira Vitória

 

A Verdadeira Vitória

Todos queremos alcançar a vitória, mas afinal o que é de verdade a glória?

Se desejamos de fato vencer, precisamos saber o que isso vem a ser.

Aqui proponho uma reflexão sobre o tema em questão.

Não é uma mensagem de autoajuda, pois a vida é luta, é um “Deus nos acuda”.

 

Viver não é seguir uma regrinha, como fazer a lição passada na escolinha.

Não é repetir a fórmula dos antigos como se tudo já tivessem sabido.

Por isso temos que rejeitar a obrigação de copiar um modelo de ação.

Temos que rejeitar a ordenança que nos vem como forma de cobrança.

 

Ouvimos: “É preciso ser o melhor, pois perder é o que há de pior”.

“Tem que ganhar o troféu, mais que açúcar você deve ser o mel”.

“Tem que ser o primeiro, é preciso ganhar muito dinheiro”.

“Tem que ser o mais famoso, é preciso ser o mais formoso”.

“Você precisa ser o objeto da escolha, você não pode ficar na bolha”.

“Seja sempre o vencedor, pois a maior vergonha é ser o perdedor”.

 

E logo somos envolvidos por essa conversa à qual damos ouvidos.

Pensamos: “Serei o primeiro a chegar no pico, pois aqui em baixo eu não fico”.

“Tenho que ficar acima da média, pois quem não se destaca vira comédia”.

 

Será que o primeiro lugar é o único que vale a pena estar?

Será que me fazer o tal vai me livrar da minha natureza animal?

Hoje me desfaço deste ledo engano, não sou semideus, sou apenas humano.

 

A verdadeira premiação não está nos títulos, nas medalhas ou na posição.

O mestre da vitória é Jesus, ele não subiu no pódio, ele subiu na cruz.

Ele não foi aplaudido e premiado, mas sim despido e humilhado.

Quero o maior prêmio, para isso não preciso ser o maior gênio.

Quero a mesma vitória do Senhor, quero a liberdade, quero o amor.

 

Aberio Christe

   

 


Escrito por Aberio Christe às 13h04
[] [envie esta mensagem] []


02/06/2012

 


 A Gargalhada

Quando atravessou o portão, Adolfo deu uma gargalhada, ao entrar no escritório, mais uma vez sorriu com vontade. Quando soube que Mário havia sido promovido em seu lugar, não conteve outra explosão de alegria. Ao saber da notícia de que Ana havia sido demitida e que Lígia continuava na empresa, ele gargalhou novamente. Ao ser informado que perderam uma concorrência por negligência do diretor, sorriu sem medo. Quando descobriu que diversos clientes haviam cancelado o contrato, pois estavam insatisfeitos com os serviços prestados pela empresa, arreganhou os dentes numa alegria sincera.

Ludovico era um dos seus colegas de trabalho e este testemunhara todos os acessos de riso. Antes de terminar o expediente, questionou Adolfo por essas estranhas manifestações de alegria.

- Você já tem outro emprego? – perguntou.

- Não – respondeu Afredo. – Por que?

- Mário não merceia ser promovido, não conhece bem a empresa, nem é especialista no ramo. Ele falta muito, não produz o necessário e nem é querido entre os colegas...

- É verdade – concordou Adolfo.

- Ana era uma excelente funcionária, todos ficamos sentidos com a sua demissão – continuou Ludovico – Lígia não faz nada, anda de uma lado para o outro a matar o tempo e não sabe trabalhar em equipe.

- Concordo e sinto também por Ana.

- O diretor foi escolhido por bajular o presidente, nunca contribuiu de forma positiva com a empresa e tem empregado aqui os seus amigos pessoais independentemente de possuírem as qualidades necessárias aos cargos ou não. Ele tem deixado a desejar na direção da empresa e não é primeira vez que perde concorrência por falta de empenho. O nosso presidente tem outra empresa maior, está completamente mergulhado no mundo político e não está se importando muito com o que acontece aqui. A nossa receita diminui a cada dia e estamos caminhando para a falência graças à incompetência administrativa que temos aqui. 

- Você tem razão.

- Então porque você morre de rir diante de todos os acontecimentos? – Perguntou Ludovico.

- É simples. Eu percebo a cada dia que a vida é muito mais do que tudo isso. E essas pessoas não têm poder de tirar a minha felicidade – e gargalhou mais uma vez.

Aberio Christe

 

                                                                                                                                                                          

                                                                                                                                                                          

 


Escrito por Aberio Christe às 15h20
[] [envie esta mensagem] []


27/05/2012

O Bode Bale, a Gansa Grasna, o Porco Grunhe e o Gato Usa Ray-Ban

 

 

O Bode Bale, a Gansa Grasna, o Porco Grunhe e o Gato Usa Ray-Ban

Os animais da fazenda ficaram sem um líder, pois o cavalo tinha sido vendido. O porco se encheu de esperança porque ele era o mais próximo do fazendeiro. Começou a cumprimentar os colegas, a sorrir pra eles, coisa que nunca fazia. O porco, até mesmo, andava a beijar os filhotes, ele que nunca escondera de ninguém a sua aversão pelos pequenos.

A gansa então decidiu entrar em ação, procurou o carneiro e disse que eles precisavam fazer algo para impedir que o porco fosse escolhido. Foram procurar o dono da fazenda e lhe sugeriram que promovesse o bode a líder. Alegaram que esse iria evitar descontentamentos. O fazendeiro nem pensou duas vezes, logo aceitou a sugestão, pois ele queria mesmo era ser prefeito da cidade.

O bode, logo que começou a liderar, foi procurado pela galinha. A penada contou que estava muito revoltada com a sua situação, pois todos os seus ovos lhe eram tirados e não deixavam nenhum pra que ela pudesse chocar. O bode disse que, por hora, não poderia fazer nada, pediu-lhe que tivesse paciência porque em breve iria conseguir que lhes deixassem alguns ovos. Ela contou ao seu amigo porco. Este lhe aconselhou a não acreditar no animal de barba, mas quando ele enfim fosse o líder, resolveria o seu problema. Tudo que ela precisava fazer era ajudá-lo a conseguir tomar o lugar do líder.

O porco tinha uma grande capacidade de mentir e enganar os animais, em fazer jogo duplo e ensinou a galinha a ser como ele. Decidiram pedir a cabeça do carneiro e da gansa, pois sabiam que eles haviam feito campanha em prol do bode. O bode aceitou perseguir o carneiro em troca de apoio, mas a gansa ele protegeria, pois era líder graças a sua iniciativa. O carneiro não aguentou a pressão e pediu para ser transferido de rebanho.

Percebendo não ser difícil influenciar o bode, o porco, junto com a galinha, tramou uma estratégia para controlar o líder. Procuraram o fazendeiro e disseram-lhe que o bode não estava conseguindo liderar sozinho e precisava de um auxiliar. Sugeriram-lhe que o gato de ray-ban fosse nomeado, este era do tipo que obedecia quem mais lhe oferecia. O bode inocentemente aceitou a suposta ajuda.

O gato de ray-ban começou a andar pela fazenda com o pescoço esticado e olhando a todos com superioridade, quando avistava a galinha, a pata (que não botava ovo, nem sabia nadar), a perua (já bem envelhecida) ele lambia os beiços, pois morria de vontade de se alimentar com todas elas. Mas as penosas se encantavam com o seu jeito gatuno de ser. Ele miava suave e elas se derretiam por ele. Mas não demorou a soltar as suas garras e arranhar a todos os animais que lhe faziam oposição. Os animais começaram a questionar a liderança do bode, pois ele não resolvia os problemas que apareciam e ainda tinha o gatuno como seu auxiliar.

Então apareceu a maritaca. Todos os dias ela sobrevoava a fazenda sem pousar em lugar algum. A ave gritava que todos os animais da fazenda eram fracos e não tinham sabedoria nem capacidade para fazer as coisas bem feitas. O bode foi reclamar com o fazendeiro. O porco ameaçou dizendo que se a matraca continuasse a aparecer ele iria embora. Mas o dono disse que ela iria continuar livre, pois não havia nada a fazer já que ela pertencia ao presidente do seu partido. O bode não baliu mais, o porco parou de grunhir.

Os animais desacreditaram da liderança do bode e também não trabalhavam mais com vontade. O fazendeiro não conseguiu se eleger para a prefeitura e decidiu vender a fazenda para cobrir as dívidas que havia feito na campanha. O novo fazendeiro anunciou que faria uma grande festa de inauguração da sua nova propriedade e que serviria carne de todos os tipos para os convidados. Quando os animais souberam que corriam perigo, fugiram todos para bem longe da fazenda.

Moral da história: Quando todos olham para o próprio umbigo, todos se trombam e caem.

Aberio Christe

 



Escrito por Aberio Christe às 19h55
[] [envie esta mensagem] []


09/05/2012

Caminhada

Caminhada

 

Não se inicia uma caminhada sem os primeiros passos,

Não se faz um quilometro sem um milhar de metros rasos.

Uma jornada é a busca de um lugar bastante distante

E o caminhar exige que um pé esteja sempre adiante.

 

O cansaço e a fome inevitavelmente me alcançarão no caminho,

Mas a esperança de chegar não me deixará seguir sozinho.

As pedras farão parte e entrarão no meu sapato,

Mas nenhuma dificuldade impedirá o sucesso desse meu ato.

 

Talvez um acidente me force a fazer uma parada,

Talvez um ladrão me queira roubar na estrada.

Talvez acabe logo todo o meu suprimento

E eu tenha que atrasar todo o meu movimento.

 

Sou caminhante a trilhar a rota de uma nova vida,

Sou peregrino que sonha com a terra prometida

Não renunciarei ao sonho de atravessar o deserto,

Pois eu sei que onde há problemas, a solução também está por perto.

 

Por isso sigo cantando e acreditando: Deus está comigo!

Se é a andança deveras longa e não encontro abrigo,

Junto a fé que tenho, faço uma cabana para nela dormir.

Então, mais uma vez, recebo do alto a força que me faz prosseguir.

 

Aut.: Aberio Christe

 

 

 

 


Escrito por Aberio Christe às 22h43
[] [envie esta mensagem] []


16/01/2012

Tocar o Céu

 

Tocar o Céu

 

Eu quis tocar o céu

Por isso subi, subi com o vento

Na aerodinâmica de um corpo ao léu.

 

Vi os demônios, os anjos e os santos

Batendo asas, orando, pregando.

Despertavam a fé quando entoavam seus cantos.

 

Vi o diabo disfarçado, Miguel sem espada.

Vi o São Enganação, um será sem fim,

Um deus ilusão, um ancião na escada.

 

Muito eu via enquanto a mão estendia.

Pretendia tatear o tal paraíso eterno,

Aquele mesmo sobre o qual eu lera um dia.

 

Nisso, alguém ordenava à minha volta:

“Abaixe a mão, não prossiga, não tente,

“Submeta-se, resigne-se, não gere revolta”.

 

Mas perguntei porque devia parar

Se tinha no peito grande anseio,

Porque não me mexer se lá em baixo agita o mar.

 

Aprendi na selva que é necessário o movimento,

Pois tanto a presa quanto o predador

Assim sobrevivem e conseguem seu alimento.

 

Questionei o dogma, violei a disciplina

“Não pense, não fale, não voe”.

Feri a tradição, mudei minha sina,

 

Pensei, falei, desliguei a turbina e planei,

Logos os dardos da correção foram lançados.

Fui atingido, mas nem por isso me calei.

 

Pensei aterrissar, considerei a desistência,

Porém lembrei que a vida é presença

E não se faz uma história com ausência.

 

Resolvi religar o motor da coragem,

Ergui o bico e recolhi o trem de pouso.

Lá vou eu em busca de nova paisagem.

 

Ainda hei de alcançar a eternidade,

Mas por hora me contento em seguir,

Pois sei que a busca é a própria felicidade.

 

Já não leio manual de doutrinação,

Já não creio em almanaque canônico,

Mas contribuo para o livro ter continuação.

 

Aberio Christe

 


Escrito por Aberio Christe às 15h20
[] [envie esta mensagem] []


14/08/2011

http://youtu.be/1gUiIl8G1dg


Escrito por Aberio Christe às 13h57
[] [envie esta mensagem] []


28/06/2011

 

Não Estou Ficando Velho Não

A gente procura não pensar que está envelhecendo, mas não tem jeito. Quando vê os jovens curtindo Lady Gaga e você ainda nem conseguiu engolir a irreverência de Madonna. Quando estão dançando com a Beyoncé e você ainda está tentando aprender os passos do Sidney Magal. Ouve o programa do Altieres Barbiero e consegue cantar junto com todas as músicas que ele toca.

Evita falar a sua idade até mesmo para não criar um abismo entre você e a outra geração, mas quando alguém fala de novela você se empolga: Boa mesmo foi “Roque Santeiro”.

Meu Deus! Eu ainda me lembro de ter assistido TV preto e branco e lembro que se vendiam aqueles plásticos coloridos para se colocar na frente da telinha e ter a ilusão de ver televisão colorida.

E aquela técnica de bater com a colher na válvula do aparelho para a imagem voltar. Que coisa! Eu ainda tenho saudades do Nacional Kid e do monstrinho Guzula que comia ferro. Que é isso?

Quando o assunto é cinema você se lembra dos seus filmes favoritos: “Noviça Rebelde”, “E o Vento Levou”, “Doutor Jivago”, “King Kong”.

Agente se recorda que tem um assunto para resolver, uma conversa para terminar e se dá conta que já se passaram dez anos.

Você vai em uma festa e acha estranho que ninguém dança junto mais. O pior é você sentir sede e pedir uma Grapete para o garçom.

Não estou ficando velho, é que um ano parece um mês pra mim, um mês parece uma semana, uma semana parece um dia. Tá tudo acelerado. Eu penso em fazer alguma coisa diferente para me sentir mais jovem. Sei lá. Ir a uma discoteca, dançar lambada, comprar um CD do Roling Stones, do Christian e Ralf... O que? Não existe mais discoteca ninguém mais dança lambada, os rolings Stones já estão chegando aos setenta anos, Christian e Ralf não são mais a moderna música sertaneja? CD é coisa do passado, dá para baixar as músicas na internet? E o que eu faço com os meus discos de vinil e com as minhas fitas cassetes? E eu que estava pensando em comprar um três em um novo.

Chega! Eu juro que não vou sentir saudade do carrinho de rolemam, do passa anel, do cor flor ou fruta. A brincadeira do “Vamos todos passear na floresta, enquanto seu lobo não vem. Tá pronto seu lobo?”E o “Somos todos marinheiros da Europa pa pa...” E “Passa passa três vezes, a última que ficar...”

Não, tenho que ser moderno: vou ligar o meu Note Book, meu Ipod, meu Ipad antes que se tornem coisas do passado também.

 

Aberio Christe

 

         


Escrito por Aberio Christe às 21h09
[] [envie esta mensagem] []


09/06/2011

A Moça e o Vento

Era uma vez uma moça que amava o vento,

Não ligava para o sol, para chuva ou para a lua,

E se encantava somente com o ar em movimento,

Estivesse em casa, no campo, na praia ou na rua.

 

Ansiava encontrar seu desejado amado,

Sem o qual chorava as noites na solidão,

Pedindo que o dia trouxesse de volta seu namorado,

Pois sem ele preferia que padecesse seu coração.

 

Que não pudesse ver o rosto do seu querido,

Não se importava a nobre alma,

Porque o amor que não se vê é melhor sentido,

Tranquiliza a mente e ao espírito traz a calma.

 

Às vezes vendaval, às vezes brisa assoviante,

Chegava impondo a sua mais bela canção,

Trazendo ares de lugares distantes,

Anunciando a chegada de uma nova estação.       

 

Tufão ou tornado se faria aquele vento?

Com nada disso se importava a donzela,

Pois a paixão aumentava a cada momento

Por aquele que seria o melhor esposo para ela.

 

Assim suspirava e sonhava a futura noiva,

Preparando a festa das bodas de casamento,

Desfazendo-se de lembranças e de qualquer coisa

Que pudesse prender sua vida ao antigo tempo.

 

 Não demorou porém para cessar a ventania,

Recuperando o ar a sua cotidiana bonança

E o coração da moça se encheu de agonia,

Pois, foi-se o amado levando nuvens e esperanças.

 

Esta é uma história igual a de muita gente

Que confunde o passageiro com o eterno,

Sufocando a razão, ludibriando a própria mente

E se esquecendo que após o outono vem o inverno.

Aut.: Aberio Christe 


Escrito por Aberio Christe às 22h35
[] [envie esta mensagem] []


27/05/2011

Renivaldo, O Patinho Feio

(Baseado em fatos reais)

Renivaldo sempre sofreu “bullying”. Dizem que antes de nascer já tinha que aguentar as piadinhas do tipo: “você vai nascer uma barata” ou “se a sua mãe for esperta ela lhe aborta logo no começo da gravidez”. Quando ele nasceu, a mãe perguntou à enfermeira: - “É um menino?” e ela respondeu: “Acho que é, pelo menos tem biluzinho”. E ele não recebeu do médico um tapinha no bum-bum, mas um tabefe na cara.

Ainda na maternidade uma enfermeira perguntou para a outra: “Quantos bebês você contou?” e a resposta: “Seis, mais aquela coisa ali”. Quando os parentes viram a criança pela primeira vez, alguém disse: “É a cara do pai”, mas este ficou bravo e retrucou: “Não é mesmo”.

E assim o Renivaldo viveu a sua infância e adolescência. Na escola, todos os dias ele ganhava um apelido novo, um tapa, um soco, um ponta-pé. Os colegas, os professores, inspetores apenas assistiam às cenas e não faziam nada. Certa vez ele revidou um soco na barriga e acertou o nariz do provocador. O melado escorreu do outro e Renivaldo foi levado à diretoria. Tomou uma bronca: “Você é um menino bagunceiro e violento, vai ficar suspenso para aprender”. E ficou de castigo em casa sem poder assistir televisão, nem pegar os seus brinquedos. Mas estava feliz, pois longe da escola ele quase tinha paz, não fossem os seus pais dizendo a todo instante: ”Vagabundo inútil! Vai ser o que quando crescer? Filhote de não sei o que com qualquer coisa?”.

Mas ele teve que voltar àquele inferno chamado escola e as torturas continuavam. Agora ele tinha fama na escola inteira. Pessoas de outras salas olhavam pra ele e diziam: “Cuidado que ele é louco”. E escondiam o seu material, roubavam o seu lanche, rabiscavam os seus cadernos... E as agressões físicas voltaram.

Renivaldo pensava: “se eu tivesse um fuzil... Ratatatá, tatá, tatá”. Mas a perseguição a ele tendia a aumentar. Faziam desenhos de caveiras, de sapos na lousa e colocavam o nome dele. Certa vez escreveram: “Renivaldo é uma mistura de Serra com Ronaldinho Gaúcho”. E outra vez: “Quem disse que não existe ET, olha o Renivaldo aí”. Quando ele pegava o apagador levava sopapos de vários lados.

Mas ele se cansou de ser o saco de pancadas da turma e foi fazer um curso de artes marciais com o objetivo de se vigar de todos os seus algozes. Porém nesse curso aprendeu coisa melhor que vingança. Aprendeu a ter alto estima e considerar aqueles agressores como os verdadeiros infelizes.

Renivaldo seguiu adiante e se tornou um profissional respeitado da área de exportação. É um homem elegante, charmoso e querido pelas mulheres. Às vezes ele têm notícia de alguns dos seus perseguidores na escola quando abre a página policial do seu jornal.  

Aut. Aberio Christe


Escrito por Aberio Christe às 18h53
[] [envie esta mensagem] []



A Menina Miudinha

(Baseado no conto “Mindinha” de Hans Christian Andersen)

 

Era uma vez uma mulher que se sentia muito sozinha, ela era uma boa pessoa, mas não tinha facilidade para fazer amigos, as pessoas se afastavam dela. Desde o tempo de escola, era isolada e não tinha amigos. Ninguém se aproximava dela, nem os professores lhe davam muita atenção, pois eles estavam muito ocupados em ensinar. Essa mulher não se casara, porém tinha um sonho: ser mãe. Certo final de tarde, foi surpreendida com batidas na porta da sua humilde casa e ela correu para saber quem era na esperança de que fosse alguém para lhe fazer companhia.

- Olá generosa senhora, teria algo para uma pobre velha matar a fome?

- Sim - respondeu com simpatia – acabei de fazer uma sopa gostosa, entre e partilhe comigo essa refeição.

Elas se alimentaram e ficaram até altas horas conversando, brincando e rindo juntas. Então a mendiga se levantou e disse: - Preciso ir embora. Muito obrigada pela sua generosidade. Gostaria de retribuir esse carinho de alguma maneira. A senhora tem algum sonho?

- Sim – respondeu a mulher com brilho nos olhos – gostaria de ter uma criança que me fizesse companhia.

A mendiga mexeu no bolso do seu velho casaco, tirou algo dele e estendeu para a bondosa senhora.

- Tome, é uma semente mágica, plante-a e logo verá o seu sonho realizado – e se foi pela noite a fora. A mulher olhou aquela semente e mesmo sem entender bem as palavras da velha, colocou-a em um vaso com terra, depois pegou seu paninho e se pôs a bordar. No entanto ela não deixava de olhar frequentemente para o vasinho. Assim, caiu no sono, ali mesmo sentada na cadeira. Mas ainda no meio da noite acordou e qual não foi sua surpresa a se deparar com uma linda tulipa.

- Ela tinha razão – disse maravilhada – a semente é mágica. – E de repente a flor se abriu e dentro dela havia uma criaturinha.

- Que linda menininha, mas é tão miudinha!

A criança espreguiçou-se e perguntou: - Você é a minha mãe?

- Sim, sou a sua mãe e vou amá-la e protegê-la para sempre.

Aquela pequena garotinha logo sofreria com a crueldade do mundo. Tudo e todos eram tão grandes perto dela. E ela foi matriculada em uma escola, mas as outras meninas a desprezavam, não a escolhiam para fazer parte dos grupos de estudo. Afinal a sua letra era muito pequena. Os meninos diziam debochando: - Você não é de verdade, é apenas uma boneca.

Uma vez colocaram a miudinha em cima do armário e ela não conseguia descer, gritava, mas ninguém a ouvia ou fingia não ouvir. Uma vez, um garoto malvado a colocou no bolso durante o intervalo e ela não pode comer o seu lanche. O menino só a soltou quando acabou o recreio.

A minúscula menina às vezes era pisoteada porque todos queriam correr quando dava o sinal para irem embora, ninguém respeitava o seu tamanho.

Quando chegava em casa, ela chorava no colo da mãe e a boa senhora sentia a dor no coração por não poder cumprir a promessa de proteger a sua querida menininha. Então essa mãe orou aos céus e algo aconteceu.

A menininha estava na escola e vários colegas zombavam dela. Diziam: - pintora de rodapé, jóquei de pulga, tampinha, piolho, Topo Giglio, formiga, poeira de sótão, semente de gente, filhote de cruz credo, miniatura do cão –, entre outros termos. E todos aplaudiam como zombaria. De repente ela começou a crescer, a crescer e ficou gigantesca. Então colocou todos que zombavam dela nas mãos e ameaçou: - Acho que vou aplaudir vocês agora.

Eles ficaram com muito medo de serem esmagados ou caírem no chão, pois estavam no alto e começaram a pedir perdão e prometer que nunca mais fariam mal a ninguém, nem ofenderiam os colegas. A menininha voltou ao seu tamanho de antes, tornou-se adulta, casou-se com um príncipe e se tornou a menor mulher mais querida do universo.       

Aut. Aberio Christe 


Escrito por Aberio Christe às 18h34
[] [envie esta mensagem] []



[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 
 
 
       
   
Histórico

OUTROS SITES
    UOL - O melhor conteúdo
  BOL - E-mail grátis


VOTAÇÃO
    Dê uma nota para meu blog